terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Desabafo I

Pode ser que a outra pessoa seja o oposto de você ou pode ser que vocês tenham gostos parecidos e opiniões em comum na maioria dos casos. Pode ser que seja ele ou ela aquela pessoa inteligente, romântica ou bonita que você sempre sonhou ou, até mesmo, que seja essas três coisas juntas. O fato é que não é isso que vai definir o seu grau de felicidade e não é isso que irá lhes garantir um relacionamento perfeito e infindável. Não é a teoria clichê de que os opostos se atraem que vai fazer a vida dar certo quando vocês começam a discutir sobre a cor do quarto do bebê ou sobre o que vão comer no jantar. Não é o cara romântico que vai lhe garantir que você tenha tudo o que você precisa na vida. Porque não é verdade que o amor resista a tudo. Talvez, o amor até resista. Mas nós, humanos de carne e osso, não. Não adianta passar a vida esperando pela perfeição quando ela não existe. Quer dizer, acredito que somos todos perfeitos. Perfeitos idiotas. Perfeitos humanos. Perfeitos apaixonados. Perfeitos em tudo. Porém quem foi que definiu o que era perfeito ou não? Senso comum, talvez. No final um casal acaba se completando em perfeições e imperfeições. E o que basta é que possam se amar dentro de cada detalhe imperfeito. Às vezes as coisas não são exatamente da maneira como imaginamos e parece que somos mestres em uma coisa: Em nos decepcionar. Mas não é bem assim. Que tal tentar enfiar na cabeça que não é só dinheiro e casa bonita que faz uma família perfeita? Não é só poesia e carinho que faz uma mulher completa. No começo parece que sim... Depois a gente descobre que não. Depois a gente acaba por querer cada vez mais. Antes de tudo isso a gente já criou as expectativas. Depois disso tudo a gente já se decepcionou. É meio que um ciclo vicioso. Mas não é errado. Errado é acreditar em frases feitas. Errado é querer ser feliz dentro de um padrão imposto por sociedade. Errado é fingir que se é feliz. Errado é se obrigar a ser feliz porque acha que está fazendo a coisa certa. Nas sábias palavras de Anitelli, ‘’ Acredito que errado é aquele que fala correto e não vive o que diz’’.

terça-feira, 10 de julho de 2012

''We can live like Jack and Sally if we want''



Eu gosto do seu cabelo bagunçado, dos seus olhos quando brilham e do jeito que você morde os lábios. A maneira que você sorri e encara a vida ao meu lado como se nos conhecessemos ha séculos, me abraça por trás e segura em suas mãos o meu mundo. Me faz segura. E consegue ser tão homem, tão menino e tão frágil ao mesmo tempo... Tão meu. E sorrio sozinha pelos cantos lembrando que eu engasguei, perdi o ar e fiz papel de idiota tentando te dizer aquilo. Mas você sabe. Sempre soube. E soube que meu coração dispararia enquanto minha cabeça rodava e você dizia. Eu, sempre cheia de dúvidas, e você sempre tão decidido. E você disse no meu ouvido, naquela noite chuvosa enquanto me abraçava: "você ainda vai ser minha" e novamente um coração queria pular pela boca direto pra dentro do teu peito. E foi aí que eu passei todas as horas seguintes pensando em como seria viver com você e em como seria ser sua. E eu apenas quis. Quis tanto. E eu fui. E eu sou.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Inverno

Abri a porta da rua e senti um cheiro um tanto quanto familiar. Era a brisa da madrugada e tinha cheiro de livro antigo... Comparação um pouco esquisita mas eis que eu me senti dentro de um. Lembrei de velhos outonos. As folhas cobriam o chão com suas cores alaranjadas e o vento tinha um cheiro suave e perfumado. Era como sentir a o doce da felicidade tocando-me o rosto. Pregando-me um sorriso. Hoje eu senti o vento, porém, um pouco envelhecido, cortando-me a pele. O cheiro era estranho. Era frio. Era o inverno querendo adentrar os meus poros. Fechei a porta tão rapidamente que só pode-se ouvir o estrondo. Acordei. Lembrei-me dos pesadelos, na verdade. Pra mim, esse devaneio soou-me como os pesadelos que me visitam ha algumas madrugadas. Quis fechar os olhos bem forte e esquecer. Tento fazer isso todos os dias. Lembrei-me dos caminhos tortuosos até o início do novo outono. Lembrei-me de todas as ruas sem saída e de todos os atalhos que eu tentei pegar na estrada. Tudo o que eu tinha era uma folha e um coração rasgados. Fechei outra vez os olhos porque, de verdade, eu não sinto saudade desses velhos tempos de veraneio. É apenas uma nostalgia tola. Não tenho vontade de sentir aquela brisa doce tocando-me o corpo. Não sei porque diabos, então, eu me atormento. Não sei porque se as lembranças se perdem no vento e envelhecem como a brisa... Como eu. Será vida varrida para dentro de um livro velho como quando o inverno finalmente chega para limpar as ruas?

terça-feira, 15 de maio de 2012

Breathing


É que, na verdade, a vida pediu pra dar uma pausa, respirar, sorrir, ser mais leve... talvez. Menos intensa. Viver com um pouco menos de peso nos ombros. Ou viver um pouco mais... quem sabe. Ou, talvez, pouco mais melancólica, pesando pelos cantos. Ainda não sei. Horas assim, horas não. Mas são as horas que passam lentamente pelo relógio quando eu insisto que estou cansada e que meus ombros doem. Quando eu insisto que queria enfiar a cabeça no travesseiro e soltar um grito abafado. Danado o relógio. E quando eu finalmente descanso meus ombros nos ombros teus... danado o relógio. Dia desses parei para olhar a árvore que, insiste em estar lá, firme em sua existência, e você sempre querendo conserta-la de todo e qualquer defeito. Talvez pense em fazer assim comigo, também. Sou cheia de defeitos, sabia? Mas enfim... É que, na verdade, estava eu parada pensando apenas em como era bom estar ali. Em como é bom finalmente poder respirar depois de um dia inteirinho esperando rodar os benditos ponteiros do relógio. Porque estar com você é simplesmente como quando eu grito abafado no travesseiro, só que de uma maneira boa. 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Algum dia de 2009


A vida passa e as pessoas mudam. As águas passam a correr para outra direção. Os ventos às vezes fortes, às vezes fracos, levando tudo aquilo que fomos deixando pelo caminho. Fragmentos de vida perdidos, algumas estrelas que caíram do bolso enquanto caminhávamos despercebidos e distraídos, que se perdem como ondas. Algumas pequenas lembranças que são pisadas ao caírem. Nada disso será encontrado novamente, mesmo que eu rasteje e busque em meio aos passos apressados – correndo o risco de ser esmagada também. As prioridades mudam, são substituídas por outras, não melhores, apenas mais convenientes. O egocentrismo prevalece, todos afogados em um grande mar de desdém. Vivendo de aparências, empurrando com a barriga. Fingindo que está tudo bem. A verdade é que estamos cansados, e isso tem que acabar.