quarta-feira, 14 de julho de 2010

(des)Aceitação momentânea.

Já faz alguns anos que as bonecas que desfilavam na passarela e posavam para fotos em editoriais de moda, ou até mesmo peladas, tornaram-se pessoas ‘comuns’. Não comuns, porque chamam a atenção. Não comuns, porque são lindas. Não comuns, porque tem uma bunda enorme e não comuns porque simplesmente são magérrimas e sem bunda nenhuma. Comuns porque estão em todas as esquinas. Não há alguns anos, mas há muitos anos, é que Marilyn Monroe não é a única platinada. Hoje, aquela bolsa Chanel que desfilava linda e cara na passarela, desfila ali na rua. Mesmo que esteja parada ali no camelô, a algumas ruas de distância, ela está lá. Aquele batom caro, está em todas as bocas a partir dos 10 anos de idade, que seja. Vestidos justinhos estão na moda. Roupa curta, lindo. Salto alto é tudo. Cabelos, impecáveis. É verdade... As vezes me aplico a algumas ‘regras’: Tipo a do cabelo, a do salto alto e até mesmo da roupa curta. Mas eu não faço isso pra ser comum e menos ainda pra chamar a atenção. Eu tenho uns quilinhos a mais, e por isso mesmo, não uso aquele vestidinho justo. Eu não me escondo em roupas largas e nem em uns óculos fundo de garrafa para parecer intelectual e interessante. Eu sei que homens sabem e acreditam que dificilmente se encontra em uma mesma garota, bunda e cérebro. Eu não me acho, mas se for assim, considero-me sim, uma exceção. Posso não ser perfeita, nem siliconada e nem magra. Mas tenho minhas qualidades. Eu gosto dos meus olhos, gosto do meu cabelo, não me esforço na prova de física e não tenho as melhores notas do mundo. Me considero, mesmo assim, inteligente, única e interessante. Não tenho um emprego, não me esforço muito e nem passo o dia estudando. Sou preguiçosa e desligada. Não vivo em um mundo cor de rosa e as pessoas não costumam me parabenizar por ter alguma qualidade. As vezes isso me incomoda. As vezes pareço ser invisível e em outras, sinto que todo mundo olha pra mim. O que também me incomoda. O que importa é que eu me aceito assim. Pelo menos nesse momento, aceito. Aceito ter umas gordurinhas a mais, até ter uma nota vermelha na escola. Sou feliz assim. Daqui a pouco eu já não sei qual será minha reação... Mas eu aceito.

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